Alta no preço das roupas é menor que inflação acumulada dos últimos 12 meses

Alta no preço das roupas é menor que inflação acumulada dos últimos 12 meses

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Com marcante recuo no último ano, os preços de roupas, calçados e acessórios têm sido decisivos na rota descendente da inflação oficial do Brasil. No período acumulado de 12 meses até setembro, as despesas do consumidor com vestuário subiram, em média, 2,18%.

Trata-se da menor variação nessa base de comparação em toda a série histórica do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O percentual ficou também abaixo da evolução do custo de vida no país no mesmo período, de 2,54%, em média, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Desde fevereiro de 2014, os gastos com roupas e calçados vêm subindo ao ritmo inferior ao do IPCA.

A baixa inflação do grupo de despesas com vestuário está disseminada. Em média, os preços de roupas masculinas apresentaram alta de 2,04% no acumulado em 12 meses encerrados em setembro.

Entre as peças femininas, a alta é ainda menor, de 1,04%. Em alguns tipos de vestimentas, os custos para o consumidor diminuindo, ou seja, há casos de deflação. É o exemplo de vestidos, cujos preços caíram 2,74%, e de saias, que baratearam 0,94%.

A desaceleração da inflação de algumas roupas, ou mesmo deflações, são explicadas pela mudança das estações da moda. Passado o lançamento e promoção de peças da coleção de outono e inverno, itens como agasalhos femininos e masculinas apresentaram em setembro queda média nas vendas de 1,46% e 0,99%, respectivamente.

Em geral, a retração dos preços de vestuário está ancorada na baixa demanda do consumidor. Com a elevação do desemprego nos últimos dois anos de recessão que o país enfrentou, associada à inflação ascendente observada em 2015 e 2016, muitas famílias colocaram o pé no freio nas despesas, optando pelos itens essenciais para salvar o orçamento.

Dessa maneira, muitos consumidores cortaram gastos com bens semiduráveis, como roupas.

A mais profunda das recessões que o país enfrentou levou o professor Vinícius Batista, de 31 anos, a gastar menos com roupas para ele e a família. A regra, agora, é ter paciência e pesquisar nas lojas.

Para ele, a prática de pedir descontos nunca foi tão positiva. “Sempre peço para reduzir o preço e acabo conseguindo um valor que me deixa satisfeito”, afirma. Outra hábito adotado por ele é deixar uma reserva financeira separada para evitar usar o cartão de crédito.

Natal Antecipado

Os artifícios adotados por Vinícius Batista são a prova do quanto o momento é oportuno para barganhar descontos nas lojas. A fraca demanda e a alta contida de preços são favoráveis ao consumidor, reconhece o chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes.

Contudo, o economista ressalta que outubro é marcado pelo lançamento da coleção de verão.

Portanto, a perspectiva é de que os custos de determinadas peças subam. “Do ponto de vista orçamentário, e do instinto de preservação, quem puder comprar agora estará fazendo um bom negócio”, avaliou.

Diante da proximidade do fim de ano, o momento é até oportuno para adiantar compras de Natal e de confraternizações, destaca Bentes. Quem não puder comprar uma peça de roupa por agora, poderá encontrar boas ofertas durante o Black Friday, evento marcado por megapromoções que é celebrado pelo varejo em novembro. “É uma boa oportunidade para assegurar uma economia ao bolso”, ressaltou.

Cautela

como regra A despeito das promoções, a virada do ano sempre reserva despesas adicionais com materiais escolares e impostos. Por isso, é importante não se endividar no cartão de crédito e no cheque especial, como alerta o consultor financeiro Rogério Olegário, sócio-fundador da Libratta Finanças Pessoais.

Havendo espaço no orçamento para fazer a compra, e se o preço do produto for considerado razoável, não há problemas em comprar, segundo o especialista. “Tendo dinheiro para isso, tudo bem. O importante é evitar os gastos por impulso, ou para amainar uma necessidade emocional não resolvida”, adverte.

As dicas do consultor financeiro são seguidas à risca pela estudante Heloísa Alves, 20, que procura sempre produtos com o custo/benefício que se acomode bem no orçamento. “Sempre pesquiso muito para que a despesa caiba dentro do que ganho”, afirma.

Comparar preços oferecidos por vários estabelecimentos é uma prática também adotada pela bancária Elisa Pinheiro, 31. “Tenho aproveitado o tempo livre para visitar alguns shoppings.

Assim, estou conseguindo comprar boas peças de roupa por um preço acessível”, conta. Com o levantamento de preços, ela tenta sempre barganhar, apelando ao famoso choro na hora de comprar.

 

TUDO PELAS VENDAS

A redução de preços dos produtos de vestuário por meio de descontos poderia, em tese, comprometer parcela dos ganhos esperados pelos comerciantes, mas não em tempos de crise. O presidente da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB), George Pinheiro, avalia que os empresários não têm muito a reclamar, e podem assegurar aumento nas vendas na comparação com o ano anterior. “É um momento muito bom. Os preços desaceleraram, os juros caíram, e isso vai ajudar a elevar a demanda por roupas e recolocar a economia em rota de crescimento.”

Estado de Minas