Em sinal de isolamento de Maduro, ONU aprova 1ª resolução contra Venezuela

Em sinal de isolamento de Maduro, ONU aprova 1ª resolução contra Venezuela

As Nações Unidas aprovaram pela primeira vez uma resolução contra o governo da Venezuela, pressionando o país para que aceite ajuda humanitária e dando um mandado explícito para que a entidade inspecione possíveis violações de direitos humanos em Caracas.

A aprovação no Conselho de Direitos Humanos da ONU mostra, na interpretação de diplomatas, que o regime de Nicolás Maduro está cada vez mais isolado. O texto ainda reconhece, também pela primeira vez, que o país vive “uma crise humanitária”.

A votação também foi marcada pelo apelo de Brasil, México e Europa contra qualquer iniciativa do governo de Donald Trump de usar uma intervenção militar para dar um fim à crise.

A Casa Branca e mesmo a direção da Organização dos Estados Americanos (OEA) têm falado abertamente sobre a possibilidade de uma ação militar para derrubar Maduro.

A aprovação no Conselho de Direitos Humanos da ONU mostra, na interpretação de diplomatas, que o regime de Nicolás Maduro está cada vez mais isolado. O texto ainda reconhece, também pela primeira vez, que o país vive “uma crise humanitária”.

A votação também foi marcada pelo apelo de Brasil, México e Europa contra qualquer iniciativa do governo de Donald Trump de usar uma intervenção militar para dar um fim à crise.

A Casa Branca e mesmo a direção da Organização dos Estados Americanos (OEA) têm falado abertamente sobre a possibilidade de uma ação militar para derrubar Maduro.

Mas ela também deixou claro que o Brasil não tolerará apelos à intervenção militar na Venezuela. “Repudiamos qualquer pedido de ação ou declaração que poderia implicar numa intervenção militar ou exercício do uso da violência na Venezuela”, declarou.

Ainda assim, a diplomata pediu que Maduro “coloque fim às violações de direitos humanos, libere prisioneiros políticos e respeite autonomia de poderes do Estado”.

Em nome da Europa, que votou totalmente a favor do texto, a Eslováquia afirmou estar “profundamente preocupada com o fracasso de proteger os direitos, além do enfraquecimento de instituições democráticas”. Mas também deixou claro que a intervenção não pode ser o caminho. “A Venezuela precisa de uma solução democrática e de um processo de diálogo”, defendeu.

Ataque

O embaixador da Venezuela, Jorge Valero, fez um duro ataque contra os governos que votaram à favor da resolução. “Nunca uma iniciativa foi tão hostil contra a Venezuela como essa”, disse. “É uma interferência em meu país e viola o diálogo. Trata-se de uma manipulação política.”

Para ele, o sofrimento da população é causado pelo embargo estrangeiro e por governos que querem “tutelar sobre a Venezuela”.

Valero disse que é “falso chamar a crise de humanitária”. “Os países que promovem isso querem derrubar Maduro. Denunciamos, portanto, essa resolução como o início de uma escalda intervencionista”, completou.

Saindo ao apoio de Maduro, o governo da China deixou claro que “sempre defende a não intervenção”. “Os venezuelanos tem capacidade de lidar sozinhos com seus problemas e temos de apoiar uma reconciliação”, disse.

Cuba, que votou contra a resolução, denunciou o documento por ser “uma interferência em assuntos domésticos da Venezuela”. “Estão usando os direitos humanos para politizar um ataque contra o governo”, denunciou.

Ao atacar a ideia de uma resolução, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, criticou o uso dos direitos humanos como uma arma para justificar uma intervenção. Segundo ele, a assistência humanitária é “cínica”.

“Eles nos enforcam e depois querem nos salvar”, disse, acusando as sanções americanas e europeias como a razão pela crise que sofre o país. “Estamos em uma guerra econômica”, declarou.

Numa apresentação diante do Conselho de Direitos Humanos, ele ainda insistiu que, apesar da crise, seu governo garante educação, saúde e alimentos aos venezuelanos.

Estado de Minas