Minas tem nove acidentes com vítima por hora

Minas tem nove acidentes com vítima por hora

Uma tragédia diária, com resultados diluídos na rotina do trânsito, se desenrola em ruas, avenidas e estradas que cortam o estado com maior malha viária do país. Na Semana Nacional de Trânsito, que busca a conscientização de motoristas para o risco de desastres e a importância da prevenção, a constatação é de que a cada hora quase 10 ocorrências com vítimas são registradas em Minas Gerais. Os números, contabilizados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), apontam que de janeiro a julho deste ano foram 45.759 acidentes de trânsito com mortos ou feridos em áreas urbanas e rodovias sob jurisdição da Polícia Militar, nos quais 3,7 mil pessoas foram atropeladas. A situação é, na verdade, ainda mais grave, já que a estatística não considera dados de BRs sob fiscalização federal no estado, onde de janeiro a agosto ocorreram mais 8.766 acidentes com vítimas.

O levantamento da Segurança Pública estadual, porém, leva em conta rodovias violentas, como o Anel Rodoviário de Belo Horizonte, de responsabilidade da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), onde ontem mais um grave acidente colocou em risco motoristas, passageiros e pedestres. O desastre ocorreu mais uma vez na arriscada descida entre os bairros Buritis e Betânia, na Região Oeste de BH, onde o tombamento de uma carreta travou o trânsito em diversas áreas da capital mineira durante boa parte do dia. Desta vez, pelo menos, não houve vítimas no trecho, onde o último desastre grave com um caminhão matou na hora três pessoas – pai, mãe e filho – que estava em um carro que se incendiou após ser atingido, no dia 6 deste mês.

Para o doutor em engenharia de tráfego pela Universidade Federal do Rio de Janeiro Frederico Rodrigues, há fatores que contribuem para desastres como esse, com mortes e pessoas gravemente feridas. “De modo geral, rodovias em áreas urbanas, como é o caso do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, causam acidentes com mortes e feridos. Também são fatores para ocorrências graves interseções das estradas com áreas urbanas e, nas vias de áreas rurais, pontos estreitos que não permitem ultrapassagens.”

Na avaliação do especialista, iniciativas como a Semana Nacional de Trânsito, que tem um conjunto de ações educativas, são importantes. “Mas, além da conscientização dos motoristas, são necessárias as intervenções que afastem as situações de risco nas vias”, pontuou. Novamente, o Anel Rodoviário é um exemplo clássico de rodovia que não evoluiu com o passar dos anos e cujos gargalos de tráfego fazem e continuarão fazendo vítimas.

MENOS TRÁFEGO

Segundo o levantamento sobre desastres com vítimas feito pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, os dados de janeiro a julho deste ano mostram uma leve retração quando comparados com igual período em 2016. No ano passado, foram 49.794 ocorrências com vítimas no estado, o que equivale a um recuo de 8% neste ano. Porem, para Frederico Rodrigues, essa queda não pode ser atribuída a iniciativas governamentais.

“Em análise do volume de tráfego no país entre 2014 e 2016, com base em dados públicos, percebe-se uma queda de 7% resultante da crise econômica. Com menor circulação de veículos transportando cargas nas rodovias, entre outros, ocorre redução de acidentes. As ações de segurança pública diante desse quadro não fizeram diferença”, analisa o doutor em engenharia de tráfego. Segundo ele, até o fim do ano a previsão é de 14% de veículos a menos trafegando pelas estradas brasileiras.

PREVENÇÃO Entre as variadas ações promovidas por órgãos governamentais na Semana Nacional de Trânsito, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) de Minas promoveu blitz educativa na BR-356, saída para o Rio de Janeiro, para chamar a atenção dos motoristas sobre os riscos de beber e dirigir, do excesso de velocidade e para a necessidade de uso correto do cinto de segurança. Cerca de 200 condutores de carros, caminhões e motos foram parados na operação, terça-feira, próximo ao BH Shopping, na pista de saída para o Rio de Janeiro. Todos receberam material educativo e informações detalhadas de procedimentos seguros na direção e erros mais comuns que levam a acidentes.

Para Leandro Almeida, coordenador estratégico da Integração da Sesp, a redução dos acidentes passa por dois eixos fundamentais: educação e capacitação. “É necessário, antes de tudo, ter ações intersetoriais voltadas para a educação, desde a formação, até passar por aspectos de cidadania. A Sesp investe muito nessa intersetorialidade entre educação e capacitação.”

Prevenir, diz a coordenadora das Ações de Trânsito da secretaria, Christiane Aguiar, é a melhor forma de atuar para reduzir os desastres. “Na maioria das vezes, acidentes de trânsito acontecem por imprudência ou imperícia dos motoristas. Então, tentamos fazer essa conscientização para prevenir e reduzir as estatísticas”, acrescenta.

A psicóloga especialista em transporte e trânsito Lourdes Maire Tavares Campos, gestora em Transporte e Obras do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem (DEER-MG), diz que pesquisas apontam que em até 90% dos acidentes as causas estão relacionadas a falhas humanas. Portanto, o trabalho preventivo é fundamental.

Já o tenente Fúlvio Estefane, da Polícia Militar Rodoviária Estadual, lembrou um novo desafio para a educação no trânsito: o uso disseminado de celular ao volante. “É preciso essa conscientização para que o fator humano, hoje o principal causador de acidentes de trânsito, seja diminuído.”

Enquanto isso…

 

…Dia sem carro
no Funcionários

Como parte das comemorações da Semana do Trânsito, a BHTrans promove hoje o Dia Mundial Sem Carro, com o fechamento do tráfego na Rua Gonçalves Dias, no quarteirão entre as ruas Paraíba e Rio Grande do Norte, em frente à Escola de Arquitetura da UFMG, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de BH. Das 8h às 22h, o trecho ficará aberto para que pedestres possam curtir atividades de lazer, cultura e educação. No trecho interditado será permitido apenas trânsito local, para acesso a garagens.

Estado de Minas